Londrina vive há mais de dez anos sua via crucis de maus políticos. Prefeitos e Câmara Municipal vêm sendo denunciados sistematicamente por irregularidades, recebimento e pagamento de propinas, desvios de verbas, corrupção e toda a gama de irregularidades possíveis e imaginárias que se repetem no espectro político em todo o Brasil. O déjà vu de sempre.
O atual prefeito Barbosa Neto, do PDT, não foge à regra. Com secretários que chegaram a ir presos (alguns ainda estão) pelo GAECO – Grupo de Combate ao Crime Organizado, licitações irregulares, obras discutíveis, prejuízos causados ao erário por incompetência de sua equipe, o prefeito – mesmo ameaçado de cassação por uma possível Comissão Processante, participou nesta segunda-feira de um “ato de desagravo” no centro de Londrina “promovido” pelo partido e seus partidários.
Discursando, entre suas vociferações, culpou – e quem mais culparia? – a imprensa, que aliás virou o saco de pancadas no Brasil inteiro, como se o fato de denunciar irregularidades fosse um fim em si mesmo e não um meio de informar a população sobre corruptos, corruptores e outras ilegalidades. Desdenhou dos promotores públicos e de estudantes que fazem coro às denúncias e, pior, lançou-se candidato à reeleição. Se ganhar, o londrinense terá a oportunidade de assistir por mais quatro anos a outras prisões de secretários, mais corrupção, mais desvios de verbas e mais irregularidades.
Para coroar o evento, esteve presente ao ato o ex-ministro Carlos Lupi, vergonhosamente demitido do governo federal pela prática de irregularidades e desvio de dinheiro e provavelmente o único puxa-saco que, para não ser demitido, implorou e declarou alto e bom som o seu amor pela presidente. O dinheiro desviado pelo ministro, aliás, nem retornou aos cofres públicos, incorporando-se agora ao seu patrimônio irregular.
Carlos Lupi ainda protagonizou uma patacoada absurda: segundo ele, “o Gaeco é inconstitucional por ter sido criado por meio de decreto e não através da aprovação de um projeto de lei pela Assembleia Legislativa do Paraná”. Quer dizer, para o ex-ministro lambão a forma descaracteriza o conteúdo e as investigações levadas a cabo pelo órgão deveriam ser canceladas e consideradas inexistentes.
Londrina pode fazer uma conta muito fácil: a soma de um sujeito acusado de irregularidades – o prefeito Barbosa Neto -, mais secretários presos por corrupção, mais a ameaça de impeachment que paira sobre sua cabeça, mais as lambanças cometidas por seus secretários e juntando-se ainda a presença anti-exemplar de um ex-ministro corrupto… só pode dar um resultado negativo. Negativo, vergonhoso e afrontoso para os londrinenses.
Ou é burrice ou é má-fé: em São Paulo, a justiça continua concedendo benefícios a presos, liberando-os para passar alguns dias fora da cadeia em algumas datas comemorativas.
Segundo a Secretaria da Administração Penitenciária, 19.373 presos foram beneficiados com a saída temporária para o Dia das Mães e, como resultado, 5,3% não retornaram.
A saída temporária é um benefício concedido a presos que cumprem pena em regime semiaberto e que tenham bom comportamento. Quem recebe o benefício pode deixar a prisão por prazo não superior a sete dias, durante cinco vezes ao ano. O preso que não retorna é considerado foragido e perde automaticamente o benefício do regime semiaberto.
Como a mesma coisa já aconteceu no ano passado no Dia das Mães e em outros eventos, só dá para concluir que aí está mais uma grande mutreta: deve haver mil interesses na liberação dos presos, muitos dos quais são pegos praticando algum tipo de crime.
Se aparecer uma notícia de que estes presos praticaram crimes a mando de alguns policiais corruptos certamente não será uma história de ficção. Será uma realidade bem previsível.

Seu blogueiro em três momentos: recebendo o superpelicium da poetiza e acadêmica Leonilda Yvonneti Spina, no momento do discurso e os acadêmicos presentes. Da esquerda para a direita, em pé: Dr. José Ruivo, Dr. Sérgio Alves Gomes, poetiza Leonilda Yvonette Spina, Prof. Miguel Contani. Julio Ernesto Bahr, Ludmila Klocsak,Dr. Pedro Kreling, Dr. Reinaldo E. A. Barros, Pilar Álvares Gonzaga Vieira, Edson Maschio, Maria Aparecida Frigeri, Prof. Wilmar Marçal, Saide Maruch e Maurício Fernandes Leonardo. Sentados: Aparecida de Fátima Mandeli e o presidente da Academia, Dr. João Soares Caldas
No domingo dia 13, cinco novos acadêmicos tomaram posse na Academia de Letras, Ciências e Artes de Londrina: Aparecida de Fátima Pedrosa Mandeli, Ludmila Kloczak, Maurício Fernandes Leonardo, Pedro Aloysio Kreling e Julio Ernesto Bahr, este seu blogueiro de Bahr-Baridades.
A Academia de Londrina foi criada há mais de três décadas e os novos acadêmicos foram eleitos para preencher as vagas daqueles que faleceram no curso dos últimos anos.
Na Sessão Solene, presidida por Dr. João Soares Caldas, fundador e presidente da Academia, foi feita a saudação de boas-vindas aos novos acadêmicos pelo Professor Wilmar Marçal, ex-Reitor da Universidade Estadual de Londrina e também acadêmico.
Coube-me a honra de apresentar o discurso em nome dos cinco recém-empossados.
As reuniões na Academia de Letras, Ciências e Artes de Londrina acontecem a cada segundo domingo do mês, nas dependências do Hotel Bourbon.
Este parece ser o lema mais utilizado hoje em dia pela justiça brasileira. As mortes estão banalizadas, já não comovem e a justiça não está preocupada em aplicar penas condizentes com a gravidade dos eventos.
Em Londrina, um condutor de moto que atropelou e matou um pedestre, foi simplesmente condenado à pena de dois anos de prisão, sob o rótulo de homicídio culposo na direção de veículo automotor, conforme o Código de Trânsito Brasileiro.
Para coroar, a “dura pena” foi substituída por uma “pena restritiva de direitos, consistente em prestação de serviços à comunidade, em estabelecimento a ser indicado pelo Juízo da execução, de acordo com a aptidão do condenado”. Essa pena consistirá em uma hora de tarefa por dia de condenação, fixada de modo a não prejudicar a jornada normal de trabalho, além do pagamento de 10 dias-multa, cada um no valor de um trigésimo do salário mínimo vigente à época do fato. Um salário mínimo no valor de anos atrás…
Além disso, a outra pena enorme que o matador sofreu foi a suspensão por apenas dois meses da sua carteira de habilitação.
O Ministério Público pediu a condenação do denunciado sustentando que o “réu agiu com imprudência, pois não freou a motocicleta num espaço de tempo suficiente para evitar o acidente, já que afirmou ter visualizado a vítima à distância de 100 metros”.
Aqui não se falou uma única vez da vítima. Seria um pai de família voltando da jornada de trabalho? Havia filhos pequenos esperando por ele? Sua esposa estaria doente, internada em um hospital? Ele sustentava sua pobre mãezinha de idade avançada? Qual o drama particular da vítima?
Tudo indica que existem interesses muito maiores rondando sobre nossas cabeças, deixando criminosos impunes ou condenando-os a penas muito brandas, substituindo a cadeia por “serviços à comunidade”, sentenças que redundam em incentivo à prática de delitos, assassinatos e crimes graves. Será que já não é hora de a sociedade se mexer e reivindicar justiça, segurança e penas justas aos criminosos motorizados?
Agora, veja a discrepância: para mostrar como a justiça brasileira trabalha com vários pesos e medidas diferentes, o goleiro são-paulino Rogério está sendo acusado de falsidade ideológica, por assinar uma multa de uma infração cometida por ele “com informações falsas que prejudicaram outra pessoa com pontuação na carteira de habilitação”, segundo a acusação. Rogério assinou no campo do proprietário quando deveria ter preenchido o do motorista, onde, depois, a assinatura da vítima teria sido falsificada. Em sua defesa, o goleiro argumenta que assinou no campo errado sem querer e que a “falsificação” foi feita sem seu conhecimento. O que pode acontecer com qualquer um, comigo, com você, enrascados no meio das papeladas burocráticas herdadas do tempo do Império. Engano que certamente descaracteriza a palavra “falsificação” usada no caso do goleiro Rogério Ceni. Agora compare a pena entre um matador e um cidadão que se enganou no espaço destinado ao preenchimento do papel: Rogério terá que cumprir algumas condições, entre elas a de não frequentar bares e lugares de “reputação duvidosa” depois das 22h, e se apresentar mensalmente em juízo. Uma pena proporcionalmente muito mais severa que a imposta ao matador.
Quem andava rangendo os dentes de raiva por causa das mutretas de Ricardo Teixeira, quando este era presidente da CBF – Confederação Brasileira de Futebol, vai ter de usar aparelho bucal para dormir à noite: segundo a Folha de São Paulo, o novo (no cargo) presidente, José Maria Marin, que assumiu a presidência há menos de dois meses em razão da renúncia do Teixeira, aumentou o seu próprio salário e o dos principais integrantes da cúpula da entidade. Ele passa a receber R$ 160 mil mensais, incluindo o salário de abril. Ricardo Teixeira ganhava “apenas” R$ 98 mil. Para não ficar atrás, o assessor especial de Marin na CBF, Marco Polo Del Nero, dirigente da Federação Paulista de Futebol, recebe um salário de R$ 130 mil por mês.
Esse é o retrato do Brasil. O brasileiro comum recebe um salário mínimo de R$622,00, sofre aperto na condução, a comida é insuficiente, sua moradia é precária, se aperta para assistir aos jogos do seu time de coração, morre em corredores de hospitais – enquanto Marin e sua trupe tomam uísque estrangeiro, comemoram com champanhe caríssimo, hospedam-se em hotéis cinco estrelas, viajam de classe VIP ou em aviões fretados e embolsam uma fábula de dinheiro por mês, sobre o qual não existe nenhum controle.
A presidente Dilma criou a “Lei do Acesso” e mandou publicar na internet todos os salários, adendos, férias, décimos terceiros salários, proventos, verbas de viagens, verbas de representação, verbas de aluguel de imóveis, verbas para cursos, etc., dos ocupantes de cargos públicos no Executivo, com o objetivo de tornar a gestão pública mais transparente.
Essa decisão já criou uma revolta dos sindicatos de servidores, reforçada pela resistência da Associação dos Magistrados Brasileiros e entidades do Judiciário e provavelmente vai virar uma batalha judicial.
É difícil avaliar o certo ou o errado nesta lei. Pois os servidores públicos podem alegar que seus proventos são sigilosos e que, uma vez expostos na internet, serão de domínio público – o que poderia favorecer fofocas de vizinhos, ação de meliantes, disputas entre ocupantes dos mesmos cargos nas suas repartições, inveja, cobiça, raiva e outras quebras de regras contidas nos dez mandamentos.
Por outro lado, a Lei do Acesso deveria isso sim, divulgar quanto os ministros, governadores, prefeitos, secretários, senadores, deputados, vereadores e todos os funcionários públicos desviaram e continuam desviando do erário. Erário, para quem não sabe, é o nosso dinheiro público, nosso rico dinheiro encaminhado compulsoriamente ao tesouro nacional sob a forma de impostos e tributos que, aliás, são dos mais caros do mundo. Nosso dinheiro está servindo para as grandes festanças e orgias financeiras promovidas pelos malandros, espertos e aproveitadores do setor público que mamam nas tetas do governo abrigados sob total falta de punição.
Essa Lei do Acesso deveria se chamar Lei do Excesso. Para brecar o excesso de bandalheiras, falcatruas e desvios sob as barbas (ou maquiagem?) do poder público.
Este é o Celular Sumsing Turbo 3000 Xi Multitask, o mais novo modelo de celular lançado no Japão. Você não poderá viver sem ele!
Como previsto, a tal CPI do Cachoeira criada para tentar dar uma aura de seriedade às trapaças financeiras continuadas que são elucubradas por políticos, bicheiros e empreiteiros, já está azedando. Aliás, foi este mesmo verbo azedar que o deputado federal Cândido Vaccarezza (só poderia mesmo ser do PT) usou no seu celular, quando foi flagrado durante sessão, garantindo blindagem do seu partido PT ao governador do Rio, Sérgio Cabral (PMDB), o superprotegido da presidente, e que corria risco de ser convocado a depor na comissão.
Quem registrou as imagens exibidas na edição desta quinta-feira no “Jornal do SBT” foi um cinegrafista, flagrando o seguinte texto: “A relação com o PMDB vai azedar na CPI. Mas não se preocupe, você é nosso e nós somos teu.
Ajudando a melar ainda mais a CPI, também ficou de fora a empreiteira Delta Construções, já que poderia atingir Fernando Cavendish – amiguinho de viagem de Cabral e presidente licenciado do Conselho de Administração da empresa. Para tentar dar um ar de autenticidade à CPI, vão investigar apenas a Delta da região Centro-Oeste. É como periciar um automóvel que se envolveu em grave acidente e examinar apenas uma das rodas, deixando as outras três de lado, além do motorista responsável – no caso figurado, o Cavendish.
O acordo resultou, também, na desistência de convocação dos governadores de Goiás, Marconi Perillo (PSDB), e do Distrito Federal, Agnelo Queiroz (PT). Aqui se explica: se convocarem o Perillo do PSDB para depor terão de convocar o Agnelo do PT e o Cabral, do PMDB/PT. Isso não interessa ao partido do governo.
Surpresas? Nenhuma. Nós já cantávamos esta bola aqui no blog em post anterior.
Essa petralhada toda se protege, se protege…
Filho do empresário Eike Batista e com nome de deus nórdico, Thor Batista está recebendo uma forte descarga de trovoadas na sua vida.
Acusado de homicídio culposo pelo Ministério Público por ter atropelado e morto um ciclista na rodovia Washington Luís em março, em Duque de Caxias (Baixada Fluminense), os laudos da investigação demonstram que seu veículo Mercedes-Benz SLR McLaren trafegava a pelo menos 135 km/h, enquanto a velocidade máxima permitida no trecho é de 110 Km/h.
O que piora sua condição foi o fato de que ele ultrapassou um ônibus pela faixa da direita e momentos antes de atingir a vítima, repetiu a manobra irregular ao ultrapassar outro carro, “violando os preceitos legais de segurança no trânsito”.
Cabem aqui duas observações: a primeira, sobre a dupla irregularidade cometida pelo jovem. A lei é clara. Não se ultrapassa jamais pela direita. Thor fez isso duas vezes – e em alta velocidade. A segunda: no momento do atropelamento o ciclista provavelmente nem viu o carro de Thor se aproximando, pois ao ultrapassar pela direita ele surgiu praticamente do nada.
Curiosamente, os advogados de Thor Batista apenas refutam a velocidade determinada pelos peritos, que, segundo eles, seria menor. Mas não refutam o fato de que ele fez duas ultrapassagens pela direita, absolutamente irregulares.
Daqui para frente será uma disputa de braço de ferro entre o poder econômico e político do pai e dos seus advogados e as provas da culpabilidade ou não do jovem com nome de deus.
Foi mesmo um festival. Nunca o brasileiro utilizou tanto seu cartão de crédito, financiamentos, empréstimos, cheques pré e leasing.
Nunca o brasileiro comprou tanto, gastou tanto e esnobou tanto.
Mas a festa está terminando. A inadimplência das operações de Crédito Direto ao Consumidor de veículos (dívidas sem pagamento por mais de 90 dias) chegou a 5,7% em março, quase o dobro da inadimplência de 3% registrada em março de 2011. São dados da Associação Nacional das Empresas Financeiras das Montadoras. Com isso, as exigências para concessão de financiamento tornam-se cada vez maiores e menos gente vai participar da festa.
Pois além das prestações mensais para o pagamento do veículo, o comprador tem de pagar IPVA, combustível, seguro, seguro obrigatório, combustível, despesas de manutenção, além da escola dos filhos, IPTU, aluguel, condomínio, comida na mesa, medicamentos, hospitais, roupa… são despesas que não acabam mais.
O carro sim: acaba em um pátio de leilões, devolvido pelo comprador, para tentar se safar da dívida que vai desequilibrando a vida de quem um dia sonhou em rodar por aí com um carrão, mas se esqueceu de que o Brasil cobra um preço muito alto em impostos e oferece… quase nada em troca.
A festa do consumo desenfreado está acabando!
Em encontro com 3,5 mil prefeitos, em Brasília, a presidente ouviu cobranças e anunciou medidas de apoio aos municípios. Em sua fala, o presidente da Confederação Nacional de Municípios, Paulo Ziulkoski, defendeu uma divisão igualitária dos royalties do petróleo entre todos os estados e municípios. Um projeto neste feitio já fora vetado pelo então presidente apedeuta. O assunto voltou a ser discutido pela Câmara dos Deputados.
“O que aquele município ou estado, com o maior respeito que temos ao Rio e ao Espírito Santo, fez para produzir aquele petróleo que está lá?”, questiona Paulo Ziulkoski. “Aquilo é nosso, é da União.”
Após sua fala e entre aplausos e vaias, Dilma se dirigiu ao presidente da Confederação de Municípios com o dedo em riste, afirmando que ele, Paulo Ziulkoski, estaria estimulando uma luta que acabaria em derrota no Judiciário. 
Que democracia é esta em que um representante eleito de entidade – bem representativa, por sinal – não pode externar uma reivindicação e recebe um ameaçador dedo em riste na cara? Sugiro aos “comunicadores” do governo federal que joguem na lata de lixo da História o seu slogan “Um País de Todos”. Esse slogan só vale para regimes realmente democráticos. O dedo em riste da presidente prova que o Brasil não o é.
Obviamente esta é uma história de ficção.
Num país chamado Corruptolândia, existia um grupo especializado em promover marketing político. Assim, quando chegou o ano de eleições (lá ocorrem eleições de dois em dois anos), os magos encontraram uma fórmula para promover os possíveis candidatos a cargos executivos e legislativos, ao mesmo tempo em que derrubariam outros tantos que preferiram não compactuar com o seu esquema.
De comum acordo com as cortes superiores do judiciário, os marqueteiros aguardaram dois anos para tornar públicas gravações de conversas entre alguns bandidos de largo poder e políticos que se envolveram com eles em esquemas, digamos, não ortodoxos. Um dia, bem no ano das eleições, detonaram a bomba e o país inteiro tomou conhecimento de conversas incriminadoras daqueles políticos que deveriam ser afastados do centro do poder e impedidos de ser eleitos ou reeleitos.
Formou-se então uma Comissão Processante bastante suspeita: um ex-presidente da República anteriormente condenado, partidários de um partido político que detinha o poder e dava o nome ao país por razões óbvias, políticos candidatos à reeleição e que assim disporiam de uma vitrine para se exibir e conquistar possíveis eleitores, enfim gente que só lucraria nas eleições com a derrocada dos seus acusados oponentes.
Naquele país havia também um juiz da Suprema Corte que em seu histórico sempre e sempre emitia pareceres e votos contrários aos anseios da população. Novamente o juiz entrou em ação: sentindo que o depoimento do principal acusado – o chefe da quadrilha – envolveria no mesmo pacote vários partidários do governo da Corruptolândia, na última hora cancelou o depoimento do dito cujo chefe da quadrilha, alegando que seus advogados não tiveram direito de analisar os tantos e tantos volumes de páginas da investigação. O que comprovadamente não era verdade, visto que os documentos permaneceram à disposição tanto dos acusados como dos acusadores, em absoluta igualdade de condições.
Assim, a Corruptolândia vai seguindo seu inexorável caminho, fazendo jus ao nome que carrega. Políticos corruptos serão reeleitos, opositores amargarão derrotas, o partido do poder continuará ditando as regras, juízes continuarão recebendo propinas e usando dos seus cargos para desviar recursos públicos e o povo vai sendo ludibriado através de falsos conceitos e de uma educação cada vez mais falha e distorcida.
O lema mais em voga naquele país é: “Venha para a Corruptolândia você também!”.
Aleluia! A polícia de São Paulo deu o primeiro passo para exterminar uma das pragas que mais atormentam os cidadãos em praticamente todas as cidades brasileiras: os famigerados e perigosos “flanelinhas” – uma vagabundagem e sem-vergonhice oficializada pela inércia dos prefeitos e do poder público.
Neste domingo, quando ocorreu o jogo final do Campeonato Paulista, havia flanelinhas cobrando até R$ 150 para “olhar” os carros que eram estacionados nas ruas próximas ao Morumbi.
A primeira operação conjunta entre as polícias Civil e Militar e a Prefeitura de São Paulo contra os flanelinhas ocorreu no jogo entre Corinthians e Emelec pela Libertadores, quando a polícia prendeu, junto com 53 flanelinhas, três cambistas (outra praga indestrutível) no entorno do estádio do Pacaembu, Metade dos guardadores de carro possuía algum tipo de antecedente criminal, entre eles, roubo, crime contra o patrimônio e tráfico de drogas. Um dos flanelinhas tinha passagem por homicídio.
A prisão dos guardadores foi baseada na Lei de Contravenções Penais como “exercício ilegal da profissão” (Art. 47). “É preciso ter registro no Ministério do Trabalho para exercer a função de guardador de carro”, explica o delegado Fernando Shimidt, titular da unidade de inteligência policial do DPPC. Um artigo bastante discutível que, se fosse sujeito a um plebiscito popular, certamente seria banido eternamente das nossas vidas.
Quando é abordado, geralmente de forma intimidatória pelos flanelinhas, o motorista, com medo de ter o carro danificado depois de dar as costas, acaba pagando o que eu chamo de pedágio para os tais “guardadores”, que cobram o preço que querem e exigem receber antecipadamente.
A população deveria iniciar um movimento nacional para extirpar de vez esta praga do cenário nacional. Eu gostaria muito de ir ao teatro, ao cinema, ao restaurante e a shows, estacionar tranquilamente meu carro nas imediações do evento, contar com a segurança policial – para a qual pagamos altíssimos impostos – e jamais ser abordado por um vagabundo, muitas vezes embriagado ou drogado, intimando-me a pagar uma “taxa de estacionamento” ilegal, indevida e extorsiva.
Pesquisa levada a cabo pela Secretaria de Assistência Social de Londrina e publicada em jornal local mostra que a cidade caminha totalmente na contramão da História: 57% dos jovens infratores estão fora da escola. Um levantamento feito com 359 adolescentes atendidos para cumprir medidas sócio-educativas indicou que mais da metade deles simplesmente abandonou os estudos.
O interessante é a projeção que qualquer um de nós, que nem somos especialistas no assunto, podemos fazer imaginando o futuro destes jovens: a maioria vai reincidir na prática de delitos, muitos seguirão o caminho da criminalidade como profissão, acabarão presos e, com certeza, vários deles se incorporarão às tristes estatísticas brasileiras, sendo assassinados até os 25 anos, pela polícia, pelos narcotraficantes ou em brigas com desafetos.
O governo petista tanto fala na ascensão da classe C, na melhoria da alimentação dos brasileiros, no acesso ao consumo. Mas se esquece de citar o vergonhoso crescimento da criminalidade, na sistemática piora (propositada) da educação, na falta de motivação e incentivos para que os jovens frequentem a escola, na ausência de valores éticos e morais que devem ser ensinados a esta juventude e na projeção desta enorme camada da população para o futuro.
Menores delinquentes, contraventores, assassinos e traficantes são o resultado desta política às avessas do governo e da turminha dos “Direitos Humanos”, que conseguiu enxertar leis absolutamente brandas e benevolentes para menores de idade, permitindo-lhes cometerem as maiores atrocidades respaldados por uma capa de total impunidade. Tão impunes que sequer são obrigados a frequentar uma escola.
O Brasil é a terra do gogó: todas as maravilhas apregoadas nos caríssimos comerciais de tevê do governo são apenas da boca para fora. Na real realidade, nota-se um abandono generalizado das classes menos privilegiadas, que sobram ao Deus dará. Sem educação, sem atendimento de saúde, sem orientação, sem regras, sem obrigações, sem leis.