• MP vai ouvir donos de telefones que passam trotes no SAMU de Londrina

  • Pauline Almeida
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O Ministério Público (MP) de Londrina vai chamar cerca de 40 pessoas, proprietárias de telefones utilizados recorrentemente para passar trotes no Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu). O gerente do serviço, Elândio Câmara, passou uma série de números de aparelhos ao MP que chegavam a ligar 150 vezes por mês.

O Samu lançou uma campanha para inibir os trotes e conscientizar a população do perigo de utilizar a linha 192 para a "brincadeira". "Nós precisamos da linha liberada porque enquanto o atendente está ocupado com uma brincadeira, outra pessoa precisa de atendimento médico e está com a a vida em risco", explica Câmara. Somente em março, foram 4.735 trotes, cerca de 18% do total de chamadas atendidas.

O promotor de Defesa da Saúde, Paulo Tavares, pediu a quebra de sigilo telefônico dos números registrados e já tem quase todos os nomes e endereços; ele aguarda apenas uma operadora que ainda não mandou os documentos pedidos. Ainda não há uma data definida, mas os proprietários das linhas serão chamados e cada caso vai ser analisado para descobrir quem utilizava o telfone para os trotes e se haverá algum tipo de punição.

"Vamos ter que analisar caso a caso porque muitas vezes são crianças que passam os trotes. Nós queremos ouvir essas pessoas e ver o que elas podem fazer para inibir a prática, se forem pais", explicou. No caso de menores de idade, os responsáveis deverão fazer um trabalho de conscientização. Caso a pessoa que passa trote for comprovadamente adulto, ciente das consequências, poderá pegar de um a cinco anos de prisão e pagar multa pelo artigo 265 de crimes contra segurança dos meios de comunicação, transporte e outros serviços públicos.

Campanha

A campanha de conscientização do Samu trabalha com o slogan "Pode ser seu amigo, pode ser seu irmão, seu pai, sua mãe. Não passe trote. Para salvar uma vida cada minuto é importante". Ela está veiculando propagandas na mídia e vai desenvolver uma cartillha para distribuir nas escolas, já que os alunos são quem mais passam trotes. O número de incidência comprovadamente cresce durante os horários de saída dos colégios, entre 11h e 13h, e 17h e 19h.

O Samu atende todo tipo de ocorrência clínica, como infartos, acidentes vasculares, quedas e convulsões.

Siate

A situação dos trotes no serviço de Sistema Integrado de Atendimento aos Trauma e Emergências (Siate) é menos grave, mas os atendentes e socorristas ainda sofrem com a "brincadeira". Assim como constatado no Samu, o número de trotes cresce nos intervalos de saída das escolas, quando as crianças usam telefones públicos para ligarem nas linhas gratuitas.

O subtenente Éder Fernando de Oliveira disse que o identificador de chamada ajuda na hora do atendimento, pois fica fácil saber se a ligação vem de um telefone público. "Nós recebemos geralmente piadinhas, mas logo desligam. Há algumas pessoas insistentes e nesses casos a gente diz que sabe o endereço do telefone e está mandando a viatura policial. Mas esse tipo de situação é muito rara", informou.

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