• Prefeitura cancela repasse de recursos a hospitais filantrópicos de Londrina

  • Alexandre Sanches e Juliana Leite
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Os vereadores de Londrina comunicaram oficialmente no final da sessão ordinária da Câmara Municipal desta quinta-feira (2), ofício da Irmandade Santa Casa de Londrina (Iscal) e do Hospital Evangélico (HE) informando que o prefeito Barbosa Neto determinou à Secretaria Municipal de Saúde, a suspensão do repasse de recursos financeiros aos hospitais filantrópicos de Londrina.

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De acordo com o comunicado, lido pelos vereadores durante a sessão, a determinação foi dada no dia 11 de maio, através de ofício encaminhado à secretária. A alegação é que não há dotação orçamentária suficiente para este serviço.

Em ofício datado de 31 de maio, o diretor superintendente da Santa Casa de Londrina, Fahd Haddad, comunicou a Câmara Municipal o comunicado por parte do município sobre a suspensão dos repasses de recursos para os plantões. E neste documento, lembrou que a partir de 1º de junho os repasses foram suspensos para o atendimento de especialidades em Urgência/Emergência nos hospitais filantrópicos.

No entanto, em 11 de maio o prefeito Barbosa Neto encaminhou à secretária de Saúde, Ana Olympia Dornellas, ofício nº 4836/2011-GAB no terceiro ítem que "efetive a suspensão dos valores pagos aos hospitais filantrópicos, a título de incentivo das contratualizações existentes, em virtude de imposssibilidade orçamentária.

A assessoria de imprensa da Santa Casa de Londrina informou que a diretoria da entidade vai se pronunciar oficialmente nesta sexta-feira (3) sobre o assunto. No entanto, adiantou que o governo do Estado já comunicou que vai bancar os serviços do Iscal e do HE por 90 dias. Segundo informações preliminares, serão repassados R$ 200 mil por mês para cada entidade hospitalar nestes três meses.

No Hospital Evangélico, a assessoria de imprensa informou que o hospital ainda não tem um posicionamento oficial sobre essa suspensão. E que a diretoria médica da entidade vai se reunir nesta sexta-feira (3) à noite em assembleia para decidir o que farão a respeito.

Repercussão

O vereador Marcelo Balinati (PP) definiu a medida da administração municipal como um "descuido grave com a população". "Se a prefeitura mantiver a decisão, os hospitais correm o risco de fechar as portas. É uma verdadeira falta de respeito com a saúde em Londrina e com a própria população que precisa do atendimento", avaliou.

O vereador concluiu, ainda, lembrando que em março, quando da decisão do município em conceder subsídio para as empresas de ônibus da cidade, em março, que houve o anúncio por parte do município que recursos não eram problemas. E que agora, a suspensão vem justamente sob a alegação de que não há recursos no orçamento de Londrina para este atendimento.

O diretor executivo da Secretaria Municipal de Saúde, Márcio Nishida, chegou por volta das 18h40 na Câmara Municipal para falar sobre o assunto. Entre os assuntos abordados, a urgência na contratação de uma empresa para assumir o Serviço Móvel de Urgência (Samu).

Em entrevista coletiva à imprensa, Nishida informou que o corte do repasse se dará aos médicos plantonistas à distância, àqueles profissionais que ficam a disposição para prestar atendimento. Ele alega que a prefeitura não possui R$ 565 mil por mês para bancar o serviço. No entanto, ele garantiu que o recurso para o plantão presencial será mantido.

Questionado se a medida afetará ainda mais a crise da saúde em Londrina, Nishida disse que a prefeitura busca angariar recursos para este setor. "Entre parar um serviço à distância e um presencial, como no caso do Samu, nós estamos privilegiando nesse sentido o presencial", disse.

Há duas semanas foi deflagrada pelo Grupo de Atuação e Combate ao Crime Organizado (Gaeco) a Operação Antissepsia, que investiga suposto desvio de dinheiro da saúde pública, pagamento de propina a agentes municipais e uso de notas frias pelos instituto Gálatas e Atlântico.

Em 2009, os médicos plantonistas à distância da Santa Casa, do Hospital Evangélico (HE) e Infantil em Londrina entraram em greve por conta de um corte semelhante de recursos. À época, a Santa Casa e HE fecharam as portas para atendimento.

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