• Novo secretário de Defesa Social de Londrina nega recebimento de propina e se diz inocente

  • Pauline Almeida
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O novo secretário de Defesa Social de Londrina, Jefferson Dias Chaves, que assume na próxima segunda-feira (16), fez uma coletiva de imprensa nesta sexta-feira (13), para esclarecer as denúncias envolvendo seu nome.

Ele foi alvo de uma investigação do Ministério Público Estadual do Mato Grosso e da Corregedoria da Polícia Civil. A suspeita era de que Chaves, que atualmente é delegado de Cuiabá, tivesse recebido propina para não prender suspeitos de um homicídio registrado em 2007, de uma funcionária de um cartório da cidade de Pontes e Lacerda.

Jefferson Dias Chaves afirmou que já foi inocentado. "Houve um delito, um crime de homicídio, esse delito foi bárbaro e aconteceu em Pontes Lacerda, onde eu era delegado. Nós tomamos todas as providências no sentido de apurar, tanto é que quem matou foi condendo a 19 anos de cadeia e um dos auxiliares, um soldado da Polícia Militar, foi condenado a 21", disse.

Secretário nega recebimento de propina e se diz inocente - Pauline Almeida

Durante a entrevista, Chaves chegou a se emocionar
e lamentou a polêmica antes mesmo de assumir o cargo

A denúncia era de que Chaves teria recebido R$ 200 mil para não prender os filhos do tabelião Marcelo Souza Freitas Gonçalves, acusado de ser o mandante do homicídio de Vilmara de Paula. A mulher era funcionária do cartório e entrou com uma ação trabalhista pleiteando R$ 800 mil de indenização. Ainda teria ameaçado o ex-chefe de que contaria as irregularidades do estabelecimento, caso o dinheiro não fosse pago.

O promotor Luiz Gustavo de Mendes recebeu denúncias de que informações da investigação teriam sido vazadas para os envolvidos através de policiais da delegacia. Segundo o delegado, ele chegou a ir até o promotor de Justiça para pedir esclarecimentos e mostrar sua conduta em relação ao caso.

Em um documento enviado ao diretor geral da Polícia Judiciária Civil, Chaves justificou: "Ora se este signatário [Chaves] representou pela prisão preventiva do mandante do crime [Marcelo], logo cai por terra a assertativa de que o mesmo segundo fofocas teria dado dinheiro para o delegado", comentou.

Sociedade dos 30

A investigação do Ministério Público feita em 2009 era sigilosa, segundo Chaves, mas o documento foi vazado um ano depois pela internet. No papel teria a denúncia de que a chamada Sociedade dos 30 seria uma organização formada por financiadores do tráfico de drogas na cidade de Pontes e Lacerda.

Segundo o novo secretário, a tese é absurda. "Esse grupo dos 30 são pessoas da melhor índole possível que existe na cidade de Pontes e Lacerda. Pelo menos que eu tenho informação, são empresários. Eu tenho ligação com eles, pois conheço alguns, alguns são meus amigos e outros companheiros. Em relação ao narcotráfico, se eu soubesse de uma denúncia, eu teria tomado uma providência. Lá em Pontes Lacerda, infelizmente, eu prendi meu primo de primeiro grau. Eu falava o seguinte, se você tem coragem de denunciar, eu tenho coragem de prender", declarou.

Chaves disse ser apenas muito próximo de uma dos denominados líderes da sociedade, Bento Ferraz Pacheco, que o conhece desde bebê.

"Esse fato já havia sido propagado nos meios de imprensa do Mato Grosso, é óbvio que a gente assumindo um cargo dessa importância vai ser investigado. Alguém vai no google e coloca o nome da pessoa e sai tudo que tem a respeito. Tem um blog que colocou a matéria e evidentemente que a imprensa está no papel dela de fiscalizar. Já pensou colocar um ladrão para tocar a secretaria de Defesa Social de Londrina?", comentou.

A notícia da investigação foi dada em primeira mão pelo blog Paçoca com Cebola.

Salário

O secretário ainda está de férias de seu cargo como delegado da Polícia Civil de Cuiabá. Ele acredita que receberá o vencimento como delegado classe C do estado do Mato Grosso, que gira em torno de R4 15 mil. "Eu sou servidor público de carreira, como estou sendo cedido, o vencimento segue comigo. Se o meu vencimento vem com o ônus do estado, não tem nenhum prejuízo para o município de Londrina", disse.

Questionado se seria justo os contribuintes do Mato Grosso pagarem por um trabalho que fará em Londrina, ele afirmou que não é o responsável pela legislação. "Não fui eu quem escrevi as leis. Se é justo, eu não sei, mas eu vou prestar o serviço e esa questão será verificada junto ao gabinete estadual e municipal", justificou.

Projetos

As primeiras demandas à frente da Secretaria Municipal de Defesa Social para Chaves são as aulas de tiro para a Guarda Municipal e a instalação das câmeras de segurança.

Sobre o armamento que será utilizado pela corporação, Jefferson Dias Chaves acredita que é uma evolução e vai trazer bons resultados à segurança pública. Também comentou que não pretende mudar a equipe à frente da Guarda, preservando o trabalho do secretário Joaquim Antônio de Melo.

 


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