• "Vítimas eram hostes espirituais da maldade", diz autor de chacina em Londrina

  • Juliana Leite

O autor da chacina de quatro pessoas em Londrina no último sábado (3), Diego Ramos Quirino, 30 anos, revelou ao delegado William Douglas Soares que não se arrependeu dos crimes cometidos. Ele disse, em depoimento na tarde desta terça-feira (6), que as vítimas eram "hostes espirituais da maldade". O rapaz esfaqueou e matou a própria mãe, Ariadne Benck dos Anjos, 48, e as vizinhas, a líder do movimento negro, Vilma Santos de Oliveira, a Yá Mukumbi, a mãe dela, Allial de Oliveira dos Santos, 86, e a neta, Olivia Santos de Oliveira, de apenas 10 anos.

O assassino contou com detalhes o dia de sábado e confessou todas as mortes. Ele teria dito que recebeu ordens divinas para que cometesse os assassinatos. "O Diego narrou com detalhes toda a cena do crime, quem morreu primeiro, onde morreu, onde encontrou cada pessoa, descreveu a faca utilizada", disse.

As ordens teriam começado no período da tarde, quando foi a Cambé (16 km de Londrina) para ajudar um amigo - identificado apenas como Alisson - em uma mudança. O rapaz, transtornado, chegou a ameaçar o companheiro também com uma faca e foi levado por uma ambulância para o pronto socorro municipal. Antes da equipe do Samu chegar, ele permaneceu por quase 2h em posição ereta. "Ele afirmou que passou a falar com Deus", declarou o delegado.

Divulgação

"Vítimas eram hastes espirituais da maldade", diz autor de chacina em Londrina - Divulgação

A tarefa mais difícil, segundo Diego Quirino, teria sido matar a mãe. "Ele falou que ele não via essas pessoas como alguém que ele conhecia, mas estas eram hostes espirituais da maldade, que estavam dominadas por espíritos do mal e ele tinha o propósito de libertá-las. As vozes teriam dito que ele deveria fazer justiça e por isso sair nu", contou o delegado que investiga o caso.

O estopim do surto psicótico do rapaz teria sido uma briga com a namorada, Patrícia Amorim Dias, 19 anos, que também depôs nesta tarde. Ela contou que após a confusão em Cambé, o companheiro estava quieto, porém tranquilo. Ele comeu, tomou banho e ficou sentado no sofá. Após ela e a sogra, mãe do jovem, terem dito que o comportamento dele não era de Deus, ele se revoltou e passou a agredi-las.

O delegado refutou a ideia de que os crimes foram cometidos por conta de intolerância religiosa. Vilma dos Santos é mãe de santo e coordenava um terreiro do candomble em Cambé. Em sua casa as imagens religiosas foram encontradas todas ao chão, porém, de acordo com William Soares, estas foram utilizadas como defesa pessoal. "Ninguém é esfaqueado sem tentar se defender", declarou. A namorada do assassino teria contado ainda que o pai do jovem era da mesma religião.

Também foi descartada a hipótese de possível negligência médica por conta da profissional que atendeu Diego Ramos Quirino no pronto socorro de Cambé. A medica contou que foram realizados exames e que o rapaz não apresentava sinais agressivos. Ele teria respondido todos os questionamentos e informado que gostaria de voltar pra casa. À mãe e ao próprio paciente, a médica aconselhou que ele buscasse tratamento psiquiátrico por conta do histórico de drogadição.

O rapaz seria usuário de drogas desde os 13 anos e já passou por quatro internações. Aos 18 anos mudou-se para São Paulo, por onde permaneceu por uma década e acabou voltando para Londrina. Mquiador, ele tinha intenções de abrir um salão de beleza no bairro onde os crimes ocorreram.

O inquérito policial será concluído ainda nesta semana. O delegado responsável acredita que o caso está encerrado.

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